Abrindo caminho




 Quando mudamos o caminho pelo qual percorremos por muito tempo, normalmente nos perdemos lamentando a impossibilidade de continuar por ele, especialmente quando se acredita que lá deixamos mais vida do que nos resta agora. 


Pessoas, lugares, conquistas, vitórias, derrotas, enfim nossas histórias ficaram por lá.




Desvencilhar-se desse emaranhado de fios, que ainda nos conectam e nos mantém ligados àquele caminho, a principio nos parece o fim, nos sentimos enfermos, assustados e perdidos.

O desconectar gradativo dos fios nos condiciona a um estado abstrato, onde as figuras que um dia nos foram caras, se borram e deixam de ter a forma harmoniosa e acolhedora. E sem forma, se fundem em conceitos, valores e prioridades com características duvidosas, traiçoeiras e indignas de nosso convívio. 

Como defesa nos lançamos ao isolamento no intuito de nos proteger de tudo que nos machuca. 
Mesmo assim isolados no silencio, ainda podemos ouvir os ruídos que passam pelas frestas da velha porta já trancada. 
Mesmo livres e diante de uma nova porta que nos levará a novos caminhos, o medo do desconhecido emperra a maçaneta e já não há forças para abri-la, e voltamos a olhar a porta fechada, sabendo que o antigo caminho, já não pode nos levar a nenhum lugar.

O conflito agora é entre o isolamento e o mundo, 
entre o medo do desconhecido e o prazer de novas vivências, entre a vida que passa e a vida que ainda falta viver, entre o céu e o inferno, entre viver até o fim ou morrer sem um fim. 


Nesse momento, a melhor defesa é reunir forças, meter o pé na porta do novo e entrar! 

E ai nos damos conta de que a maçaneta nunca esteve emperrada, a porta nunca esteve trancada. Tudo que o novo esperava de nós era coragem para entrar e seguir sem olhar para trás, sem o “começar de novo”, mas com ousadia para cria-lo, porque o novo não se refaz, não se recomeça.
Ele é tão inédito como o dia de amanhã!


E já que a vida é feita de amanhãs inéditos, isso resume tudo do grande nada que saberemos sobre os novos caminhos. Caminhar pela vida tem seus riscos sim!
Mas sem eles de que nos valia viver? 
Vida, são amanhãs cheios de depois, que só conheceremos quando um novo dia nascer.







Saudade de tu coragem!
Borá aprender a ser feliz!



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