Acertando o ton de pele...


Parece simples mas acertar a tonalidade de pele é um fator bem delicado quando se trata de caricaturas ou pinturas humanas.  É quase impossível encontrar a cor exata que estamos procurando, prontinha dentro de um tubo de tinta, e na busca pela tonalidade ideal vale algum esforço.


Desde que comecei a modelar caricaturas humanas, passei a colecionar displayers de cosméticos, onde os gabaritos de cores oferecem nuances bem aproximadas das peles dos personagens, e servem de orientação para acertar nos tons de pele, em particular para pigmentações de massas com tintas à base de óleo. Porém a base fundamental para acertar na cor, é a foto com boa iluminação da pessoa a ser caricaturada.



Partindo dos tons claros, e agregando os mais escuros com cuidado, é possível subir o ton gradualmente, até o mais próximo possível do ton desejado. Lembrando que a secagem revelará sempre um ou dois tons acima do esperado. O gabarito de tons ajuda a prever a cor final. Vale os testes de secagem em pequenas amostras de massa tingida, antes de partir para modelagem de fato.
Embora possamos usar desses artifícios para ajudar a definir a cor de pele, não se acanhe na hora daquele bate-papo com seu "modelo", mostre o gabarito de cores e pergunte, qual a cor de pele ele considerada mais próxima a dele.
Sem medo de sublimação,  não pense que essa dificuldade é privilégio dos arteiros que estão começando, artistas renomados também procuram soluções que ofereçam maior fidelidade de tons, na hora de imprimir cor a um tipo determinado de pele. 

Adrina Varejão desenvolveu no ano passado, uma linha de tintas com 33 tubos com as cores de peles mais exóticas dos brasileiros. O conceito foi baseado em uma pesquisa feita pelo IBGE em 1976 que apontou 136 termos dados à cores de pele de acordo com a auto-descrição dos brasileiros entrevistados.

Sob o mesmo foco, a artista carioca Angélica Dass, propôs uma definição técnica da cor de pele. 
O seu projeto, chamado Humanae,  tem como objetivo fazer um inventário cromático dos tons da pele humana, em um mosaico global. A "taxionomia” ou “taxeonomia” criada por ela, utilizou o sistema alfanumérico técnico da PANTONE®, para que não houvesse quaisquer comparativos à hierarquias pré estabelecidas. Angélica Dass reduz a identificação de cor em códigos, nivelando as cores de tons de pele sem margens para denominações da raça, nacionalidade ou condição social.


Experiências à parte, devemos lembrar que não existe perfeição, e nem devemos nos submeter a ela. As nuances impressas em trabalhos manuais, seguem além de uma cópia fidedigna de personagens. As características pessoais do artista dão o sopro de vida necessário às diferenças entre o manual e o manufaturado. Embora o objetivo pelo ton perfeito esteja sempre em primeiro lugar, o esforço para isso deve estar liberado da necessidade de se fundir às expectativas dos outros, a final de contas ninguém é perfeito... Consideremos esse, ser um fato perfeito.
Sinta-se feliz por suas conquistas e busque pela autenticidade! Essa além de possível estará impressa inevitavelmente em tudo que for produzido pelas suas mãos.


A estátua do "Rei Davi" é considerada a obra perfeita de Michelangelo!

 "A verdadeira obra de arte é apenas uma sombra da perfeição divina" (Michelangelo). 


Boa noite e até a próxima!

Links de pesquisas e imagens:
http://www.adrianavarejao.net/pt-br/category/categoria/tecnica-mista
http://humanae.tumblr.com/
http://www.artehall.com.br/


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